Política
Seguro pede fim de “jogo de trica partidária” e exige convergências para solucionar crise na habitação
António José Seguro exigiu aos partidos que “cumpram a sua função” e encontrem soluções para os problemas do país, em especial na habitação e na saúde.
O presidente da República criticou esta sexta-feira a inação e o “jogo de trica partidária” que disse impedirem os partidos de encontrar soluções para os problemas dos portugueses, nomeadamente na habitação.
"Não é responsabilidade dos partidos políticos, do Parlamento, dos governos, de contribuírem com soluções em conjunto para resolver essa situação, sobretudo numa área em que ninguém tem a solução de criar casas de um dia para o outro? Precisamos de anos e esses anos ultrapassam legislaturas", frisou.
“A divergência deve ser uma desculpa para a inação? Para não se agir?”, questionou António José Seguro na visita às obras de requalificação da Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, em Leiria.
“Os partidos não têm o dever e a obrigação de se pôr de acordo em soluções que possam ajudar os portugueses, designadamente os jovens, a ter acesso à habitação? Ou mesmo na área da saúde”, insistiu o presidente.
Jornal da Tarde | 30 de outubro de 2026
O chefe de Estado disse ainda que, muitas das vezes, o que vê nos partidos “é o passa-culpas, é um jogo de trica partidária que deve ser posta de lado e concentrada em resolver os problemas concretos das pessoas”.
“Eu não peço que os partidos abdiquem de ser o que são, que não lutem pelas suas ideias”, explicou, dizendo que o seu dever enquanto presidente é “exigir que os partidos cumpram a sua função”.
Não se consegue "avançar como país" sem coesão social, alerta presidente
O presidente da República defendeu ainda que "não conseguimos avançar como país se não tivermos coesão social entre nós” e se uma parte da população, ainda que minoritária, não tiver acesso à habitação ou à saúde “a tempo e horas”.
Na visão de Seguro, o "deslaçar social começa precisamente quando as pessoas sentem que não fazem parte, que não beneficiam da riqueza e do progresso que é gerado".
Sublinhando que este é "um país de progresso, de criação de riqueza, de ambição e de gente excelente", o presidente reforçou que Portugal precisa de "tratar desta coesão social como de pão para a boca, para garantir que, de facto, todos" se sentem "membros de uma mesma comunidade".
António José Seguro alertou ainda que existem "demasiados instrumentos que nos destroem e, sobretudo, contribuem para nos pôr uns contra os outros".
O chefe de Estado acrescentou que parece que se vive em "condomínios fechados", onde não se ouve, nem se percebe "que há uma diferença no outro", o qual se deve "ouvir" e "respeitar".
c/ Lusa